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É possível negociar com um processo em andamento?

  • Foto do escritor: Natalia Graciano
    Natalia Graciano
  • 13 de jul.
  • 3 min de leitura

(Spoiler: não só é possível, como pode ser o melhor caminho)



Olá! Estimo que esteja bem.


Quando um conflito vai parar na justiça, é comum pensar que a única saída agora é esperar a decisão do juiz. O processo começa, as defesas são apresentadas, o tempo passa e a sensação é de que o controle da situação foi totalmente entregue a terceiros.


Mas existe um mito jurídico que precisa ser quebrado: o início de uma ação judicial não tranca as portas para o diálogo.


Na verdade, a negociação pode, e deve, ser buscada em qualquer fase do processo, seja logo após a primeira intimação ou até mesmo anos depois, enquanto se aguarda o julgamento de um recurso.


Por que negociar mesmo com o processo judicial em andamento?


1. Retomada do controle 


No tribunal, geralmente o resultado é o que chamamos de "tudo ou nada", um ganha e o outro perde, baseado na interpretação que um terceiro (o juiz) terá das provas. Quando as partes sentam para negociar, elas recuperam o poder de decisão. O acordo só acontece se for aceitável para ambos, eliminando o risco de uma sentença surpresa que pode desagradar a todos.


2. Economia de tempo e fim do desgaste emocional


O processo judicial drena energia, tempo e recursos. Demora nos andamentos processuais, prazos longos e a constante expectativa geram um custo invisível muito alto. A negociação encurta esse caminho. Um conflito que poderia arrastar-se por anos pode ser resolvido em poucas semanas de conversas estratégicas.


3. Preservação de relações comerciais ou familiares


A lógica do processo judicial é combativa, para defender o seu ponto, muitas vezes é preciso expor as falhas do outro de forma severa. Isso destrói pontes. Se a disputa envolve parceiros de negócios, fornecedores ou familiares, a negociação permite resolver o problema prático preservando a relação para o futuro.


4. Soluções personalizadas e criativas


O juiz está limitado ao que a lei determina estritamente. Ele não pode, por exemplo, criar uma forma de pagamento alternativa, propor uma parceria comercial futura como compensação ou incluir uma cláusula de desculpas formais. A negociação direta permite criar soluções sob medida, que fazem sentido para a realidade financeira e prática das partes envolvidas.


Negociação não é um "bate-papo"! 


Existe um pensamento comum de que negociar é apenas sentar, conversar e torcer para que o outro lado ceda um pouco. Mas a verdade é bem diferente, a verdadeira negociação não é uma simples conversa informal, ela exige técnica.


Quando um processo já está em andamento, as emoções costumam estar acirradas e as posições, blindadas. É por isso que a presença de um profissional que domina técnicas de negociação é o que separa um acordo frustrado de uma solução excelente.


O uso de metodologias e ferramentas estruturadas faz toda a diferença por alguns motivos essenciais como:


  • Separação entre pessoas e problemas: O profissional técnico sabe como blindar a negociação de ataques pessoais ou mágoas do passado, mantendo o foco estritamente no que precisa ser resolvido de forma prática.


  • Identificação de interesses ocultos: Muitas vezes, o que uma parte pede no processo (a "posição") não é o que ela realmente precisa (o "interesse"). Técnicas de escuta ativa e perguntas estratégicas ajudam a mapear o que realmente importa para construir uma saída viável.


  • Criação de opções de ganho mútuo: Em vez de focar apenas em quem vai "perder menos", o negociador técnico utiliza dinâmicas para expandir as possibilidades de acordo, gerando valor que as partes sozinhas não conseguiriam enxergar.


  • Uso de critérios objetivos: Para que o acordo seja justo e sustentável, a conversa é baseada em dados reais, valores de mercado e precedentes jurídicos, e não em pressões psicológicas ou teimosia.


Optar por negociar no meio de um processo não é sinal de fraqueza, é sinal de estratégia. Conduzir uma negociação técnica dentro de um litígio exige método, paciência e olhar analítico.


Muitas vezes, o próprio andamento da ação (como a produção de uma perícia ou uma nova decisão liminar) altera o cenário de riscos. É aí que o olhar da advocacia preventiva e consensual faz a diferença, ao avaliar constantemente o cenário para identificar o momento exato em que um acordo trará mais vantagens reais do que a insistência no litígio.


O processo judicial passa a ser uma ferramenta de garantia, mas o diálogo qualificado continua sendo o motor para a solução definitiva e eficaz.


Quer saber mais? Clique aqui


Espero que esse conteúdo seja útil! Se gostou, te convido a curtir e compartilhar para que chegue a mais pessoas.


Até breve!


Natália Graciano

Advogada, mediadora e conciliadora de conflitos.


Advogados, busquem sempre parceria com profissionais que possam ampliar ainda mais as suas possibilidades de atuação.






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